O falecimento de um familiar costuma trazer não apenas um impacto emocional, mas também uma série de questões práticas que precisam ser resolvidas com responsabilidade. Entre elas, uma das mais relevantes é o inventário.
Apesar de muitas pessoas associarem o inventário apenas a burocracia, a verdade é que ele é o procedimento que garante a regularização do patrimônio deixado pelo falecido e assegura que os herdeiros possam exercer seus direitos de forma legítima e segura.
Entender por que é importante fazer inventário é essencial para evitar prejuízos financeiros, conflitos familiares e impedimentos legais que podem se arrastar por anos.
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O que é inventário
O inventário é o procedimento jurídico destinado a apurar e organizar o patrimônio de uma pessoa falecida, identificando:
- bens e direitos deixados
- dívidas existentes
- herdeiros legais ou testamentários
- forma correta de partilha
Em termos simples, é o inventário que permite que a herança seja formalmente transmitida aos herdeiros.
Sem inventário, não há transferência legal do patrimônio. Imóveis permanecem registrados em nome do falecido, contas bancárias ficam bloqueadas e veículos não podem ser transferidos.

Inventário é obrigatório
Sempre que houver bens a serem transmitidos, o inventário é obrigatório.
A legislação brasileira estabelece que o inventário deve ser aberto em até 60 dias após o falecimento, sob pena de multa sobre o imposto devido.
Esse prazo existe justamente para impedir que a herança permaneça indefinidamente irregular, causando problemas para os herdeiros e dificultando a administração do patrimônio.
Regularização patrimonial e segurança jurídica
Um dos principais motivos para fazer inventário é garantir segurança jurídica.
Enquanto não houver inventário e partilha formalizada:
- os bens não podem ser vendidos
- não é possível registrar imóveis em nome dos herdeiros
- valores em bancos ficam inacessíveis
- herdeiros não conseguem exercer plenamente seus direitos
O inventário é o instrumento que protege a herança contra disputas futuras e assegura que cada herdeiro receba sua parte conforme determina a lei.
Evitar bloqueios de contas e bens
Após o falecimento, instituições financeiras costumam bloquear contas, aplicações e movimentações em nome do falecido.
Sem inventário, os herdeiros não conseguem levantar:
- saldo em conta corrente ou poupança
- investimentos em corretoras
- previdência privada, dependendo do caso
- valores de ações e dividendos
Ou seja, o inventário não é apenas uma formalidade: ele é o caminho que permite o acesso legal ao patrimônio.
Imposto sobre herança e multas
Outro ponto fundamental é o ITCMD, imposto estadual cobrado sobre heranças.
O inventário exige:
- apuração correta do imposto
- pagamento dentro do prazo
- regularização fiscal para conclusão do processo
Quando o inventário é atrasado, o imposto pode ser acrescido de multa e juros, aumentando significativamente o custo para os herdeiros.
Por isso, iniciar o inventário rapidamente costuma ser a melhor forma de evitar perdas financeiras desnecessárias.
Redução de conflitos familiares
A ausência de inventário frequentemente gera insegurança e conflitos dentro da família.
Quando não existe uma partilha formal:
- herdeiros podem discordar sobre quem tem direito a quê
- bens podem ser utilizados indevidamente por um familiar
- surgem disputas por administração do patrimônio
- a herança pode se tornar motivo de litígio prolongado
O inventário estabelece regras claras e reduz o espaço para conflitos.
Responsabilidade dos herdeiros sobre dívidas
O inventário também serve para identificar dívidas deixadas pelo falecido.
Muitos herdeiros temem “herdar dívidas”, mas a lei estabelece que:
- as dívidas são pagas com os bens da herança
- os herdeiros não respondem além do limite do patrimônio herdado
Sem inventário, cobranças podem surgir de forma confusa e desorganizada, dificultando a defesa dos herdeiros.
Inventário judicial e inventário em cartório
Existem dois tipos principais de inventário:
Inventário judicial
É obrigatório quando:
- há herdeiros menores ou incapazes
- existe conflito entre herdeiros
- há testamento ou disputa patrimonial complexa
Nesse caso, o processo tramita perante o Poder Judiciário.
Inventário extrajudicial
Pode ser feito em cartório quando:
- todos os herdeiros são maiores e capazes
- há consenso sobre a partilha
- não existe litígio
- o imposto está regularizado
O inventário em cartório costuma ser mais rápido, mas exige orientação técnica adequada para evitar erros.
Papel do advogado especialista
O inventário envolve aspectos patrimoniais, tributários e processuais complexos. Por isso, contar com uma advogada especialista em inventário é essencial para garantir que todo o procedimento seja conduzido com segurança, evitando atrasos e prejuízos.
Um profissional especializado atua para:
- levantar corretamente bens e direitos
- orientar sobre pagamento do ITCMD
- elaborar a partilha conforme a lei
- reduzir riscos de disputas familiares
- definir o caminho mais adequado entre inventário judicial ou cartório
A atuação jurídica desde o início costuma ser determinante para que o inventário seja resolvido de forma eficiente.
Inventário em casos de empresas e participação societária
Quando o falecido era sócio de empresa, o inventário se torna ainda mais relevante.
Isso porque a herança pode incluir:
- quotas societárias
- participação em negócios familiares
- direitos sobre lucros e dividendos
Sem inventário, a empresa pode ficar paralisada ou envolvida em disputas entre herdeiros e sócios.
Nesses casos, a orientação especializada é ainda mais importante para proteger o patrimônio e garantir continuidade empresarial.
Consequências de não fazer inventário
Negligenciar o inventário pode gerar:
- multas tributárias
- bloqueio prolongado de bens
- impossibilidade de venda de imóveis
- disputas familiares graves
- perda de valor patrimonial
- processos judiciais futuros
Em muitos casos, famílias passam anos com patrimônio “travado” por falta de regularização sucessória.
Inventário é um passo necessário para proteger a família
O inventário não deve ser visto apenas como obrigação legal, mas como uma medida de organização, proteção patrimonial e segurança para os herdeiros.
Ele garante:
- transmissão legal da herança
- acesso a bens e valores
- prevenção de conflitos
- regularização fiscal
- segurança jurídica para toda a família
Para entender como conduzir o procedimento com tranquilidade e respaldo técnico, é recomendável buscar orientação com uma advogada especialista em inventário, especialmente em situações que envolvem bens relevantes, empresas ou possível conflito entre herdeiros.